Quando o medo de mudar de carreira vira ansiedade
O medo de mudar de carreira é uma experiência comum e pode provocar ansiedade intensa, insônia e sensação de incapacidade.
Agitação, gritos, mãos que suavam…toda noite era isso, um pesadelo com pensamentos que insistiam e não o abandonar. Desta vez não tem mais jeito – pensava ele.
Quando entrou na sala virtual já se notava a agitação, a pele era pálida, olheiras fundas refletiam o cansaço, aparência abatida mostrava o cansaço, olhar baixo identificava a frustração, um certo tremor dava cara ao medo.
Estava claro que esta seria uma história complexa, onde medo e frustração estavam de mãos dadas com um nó emocional que precisava ser desatado.
Parecia assustador, pensar que toda noite algo lhe assombrava dentro do próprio quarto, debaixo de sua cama como um monstro dos contos infantis, mas saber que este medo poderia ser desacreditado parecia libertador.
O medo é um sentimento importante que nos coloca em vigília e atenção, uma análise de riscos para preservar nossa integridade; acontece que ele aparece de formas distintas sob máscaras que parecem ser monstruosas, mas muitas vezes basta que entendamos que trata-se apenas de uma fantasia e poderemos desmarcara-lo. O medo vem normalmente quando estamos tentando algo novo ou muito importante, ele surge para nos deixar alertas.
J. sabia que estava enfrentando um dos piores momentos de sua vida, o início de uma nova carreira, dúvidas sobre habilidade, suficiência vinham fantasiados de monstros aflorando o medo que lhe perturbaria de dia.
Iniciamos nosso acompanhamento com um pouco de desconfiança de sua parte. Mas conforme avançamos em tempo e na estrutura, um novo caminho ficava claro.
Ao trabalharmos pontos importantes de suas habilidades, descobrimos uma sombra importante na vida de J. que tratava de sua primeira grande frustração: uma carreira inicial não escolhida, não imposta, mas sugerida…uma sutileza emocional que teria-o marcado por décadas.
E, justamente por isso, algo tão discreto determinaria o padrão de mudança profissional se repetia em ciclos.
J. precisava integrar aquela sombra, aquela escolha que tinha sido feita por outro e aceita em uma época distante, que lhe conduzira até onde estava hoje.
J. precisava reestruturar sua história, dar um final salutar para o caminho que não tinha sido trilhado…mas que trazia um horizonte escuro e cheio de incertezas. Para J., o medo de mudar de carreira não aparecia apenas como preocupação profissional. Ele surgia todas as noites em forma de pensamentos repetitivos e sensação de ameaça.
Foi na terapia de reprocessamento que encontramos seu rumo, uma pergunta mudaria o jogo. E se, em algum espaço dentro de você este caminho tivesse sido experienciado, como ele seria?
Criar esta história à partir de um mesmo começo, trouxe clareza e tranquilidade ao J. pois ele finalizou um ciclo que lhe parecia aberto e despertava sob a forma de medo interferindo em sua vida atual.
A amarração de sua vida era desatar aquele nó na garganta que não lhe dava voz atualmente. Com o passar dos ciclos de reprocessamento a vida atual foi ficando mais clara. Tudo o que estava em seu campo de visão foi tornando-se palpável e o que estava oculto em algum ponto cego da sua trajetória, agora era descortinado.
Olhar para o que não era visto, encarar o monstro debaixo da cama, permitia enxergar a realidade emocional dos fatos e, com materialidade nas mãos, os passos seguintes seriam mais seguros.
Curiosamente, o monstro nunca esteve ali.
O que existia era um menino que, em algum momento da vida, havia aprendido a desconfiar da própria voz. Um jovem que seguiu caminhos que pareciam corretos, mas que deixaram perguntas sem resposta. Um adulto que carregava medos antigos tentando protegê-lo de novas frustrações.
Quando a história finalmente encontrou um novo significado, os monstros deixaram de visitar suas noites.
Não porque os desafios desapareceram.
A nova carreira continuava exigindo coragem. As dúvidas ainda apareciam de vez em quando. O futuro permanecia desconhecido, como sempre foi para todos nós.
Mas agora havia algo diferente.
J. já não confundia medo com incapacidade.
Já não acreditava que toda sensação de insegurança fosse um sinal de fracasso iminente.
Ele havia compreendido que o medo não era um inimigo escondido debaixo da cama, mas apenas um mensageiro tentando chamar sua atenção para algo que precisava ser visto.
E quando acendemos a luz sobre aquilo que evitamos enxergar, muitas vezes descobrimos que o monstro era apenas uma sombra projetada na parede.
A terapia não eliminou o medo de J.
Ela lhe devolveu a capacidade de caminhar mesmo na presença dele. Talvez os monstros que mais nos assustam não estejam escondidos debaixo da cama. Talvez estejam nas histórias que ainda não tivemos coragem de revisitar.
Muitas vezes, o medo de mudar de carreira não está relacionado ao futuro em si, mas a experiências emocionais do passado que ainda permanecem abertas.
J. descobriu que o monstro que roubava suas noites não era o futuro, mas uma história que ainda precisava ser revisitada. Talvez existam capítulos da sua própria trajetória esperando para serem compreendidos também. Se você deseja olhar para essas histórias com acolhimento e profundidade, a terapia pode ser o próximo passo dessa jornada.
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a saúde mental envolve a capacidade de enfrentar os desafios e tensões normais da vida. Quando emoções, estresse prolongado e fatores ambientais permanecem sem elaboração adequada, podem impactar significativamente o bem-estar psicológico e o funcionamento cotidiano
Conteúdo elaborado por Dea Alterio: Psicanalista, Terapeuta e Nutricionista Homeopata Integrativa, com atuação em ansiedade, compulsão alimentar, transtornos alimentares e reprogramação emocional por neuropráticas.
Atendimento online em São Paulo e para todo o Brasil.


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